Mitos
e verdades em Aromaterapia
1. Montagem de óleos carreadores. Isso existe?
VERDADE - O mercado está cheio de óleos carreadores montados a
partir de outras fontes mais baratos. Não é muito difícil
se manipular um óleo vegetal para que ele assuma características
de um óleo. O produto acaba sendo bem mais barato, mas corre grande risco
de ser de qualidade inferior.
2. Óleos essenciais reconstituídos (blends): São de qualidade
inferior?
MITO - Blends são óleos que contém um cheiro/propriedade
de um determinado óleo essencial, mas que são montados a partir
da mistura de outros óleos. Cada um dos óleos da composição
possui algumas das características do óleo a ser reproduzido.
A tentativa é conseguir balancear essas características entre
diferentes óleos afim de obter uma "cópia" fiel do óleo
a ser reproduzido. O principal objetivo na construção de um blend
é conseguir baratear os óleos essenciais cujas produções
sejam muito caras e praticamente inviáveis comercialmente. É um
caso do óleo de rosas e do sândalo, por exemplo.
Aromaterapeutas em todo o Brasil têm posições bastante diferentes
sobre a utilização dos blends. Os que seguem uma visão
energética do óleo essencial, em geral, costumam afirmar que "a
energia da planta não está ali". Já quem segue uma
visão mais química em geral defende o uso dos blends como alternativa
viável para certos óleos, e afirma que se os princípios
ativos forem semelhantes, então o óleo dará efeito semelhante.
De fato, esta discussão é a mesma da fitoterapia dentro da visão
da medicina tradicional chinesa. Os pesquisadores brasileiros têm utilizado
plantas regionais para tratamentos baseados na ciência oriental. São
criticados por movimentos "puristas", que afirmam que "as ervas
chinesas possuem uma energia específica já testada de forma empírica
por milênios". O contra-argumento é que "estudando as
similaridades fitoquímicas podemos compreender de onde vem a energia
e qual o seu efeito sobre o corpo humano, e assim classificar as plantas brasileiras
segundo a visão da medicina tradicional chinesa".
O caso é que os blends ocupam por força da situação
econômica um lugar cada vez mais destacado na aromaterapia. Mais acessíveis
e muitas vezes com alta qualidade, os blends tendem a ser algo que vem para
ficar.
Em minha experiência clínica, a utilização dos blends
de Rosa (Brazil Portrait e Aromalandia) e de Sândalo (Aromalândia)
foram muito bem sucedidas, conseguindo-se resultado semelhante aos óleos
puros. Já blends de óleos essenciais como Pitanga e Melissa (Aromalândia)
não surtiram o mesmo efeito.
A conclusão é que os blends podem ter ou não eficácia,
dependendo da qualidade da montagem. Os indianos parecem ser os grandes especialistas
na montagem de blends.
3. Óleos puros não mancham o papel
MITO - Há uma "lenda" que reza que óleos essenciais
não mancham o papel, e que isso provaria que um óleo essencial
não estaria adulterado. Isso é um engano. Alguns óleos
bastante finos como alecrim e lavanda praticamente não danificarão
o papel e evaporarão completamente. Deixando o papel apenas "frisado",
Mas outros óleos como os cítricos, especial a laranja, irão
deixar grandes manchas no papel, semelhantes aos das gorduras. Óleos
resinosos irão se fixar de tal maneira no papel que será impossível
eliminá-los dali, deixando não só manchas, mas se fixando
no papel. Assim, essa afirmação é um mito que precisa ser
derrubado.
4. Hidrolato funciona?
VERDADE - Sim, os hidrolatos, embora possuam muitas vezes menos de 0,5% de óleos
essenciais, funcionam, desde que utilizados da maneira correta.
5. As contraindicações dos livros estão corretas?
- Alecrim contra-indicado na hipertensão
MITO - O óleo essencial de alecrim (quimiotipo mais comum) contém
a substância cânfora (canfona). A cânfora é reconhecidamente
um excitante do sistema nervoso. Assim, pessoas que têm hipertensão
por origem nervosa poderão apresentar aumento da pressão sob circunstâncias
muito específicas. A aplicação de óleo de massagem
com 3% de alecrim em um tornozelo inchado jamais poderá ser apontado
como responsável por um quadro hipertensivo, pois terá ação
mais local. O risco só existe quando utilizado na forma de inalação
ou em quantidades muito altas. Mas isso vale para outros óleos canforados,
como Cânfora e Mirra.
6. Canela, sálvia officinalis e hissopo são contra-indicados
na gravidez?
MITO - Os óleos citados contém substâncias que podem favorecem
contrações. Mais uma vez, não vai ser o uso localizado
e dentro das diluições estabelecidas como seguras que trará
problemas à gravidez (a menos que haja hipersensibilidade há algum
componente, mas isso vale não só para óleos essenciais,
vai para qualquer coisa na vida, química ou natural). O "mito"
se deve ao fato de que altas doses de canela (normalmente tomada na forma de
chá) ingerida são usados por costume popular para a prática
do aborto. Não é também um chá da tarde de maça
com canela que vai fazer a gestante abortar (mais uma vez, a menos que haja
predisposição).
7. Óleos essenciais não podem ser ingeridos, mito ou verdade?
MITO - Óleos essenciais em geral são originários de plantas
aromáticas, que nada mais são do que as especiarias tão
valorizadas da idade média até a invenção da geladeira
e dos férmacos. Plantas aromáticas são sempre tóxicas
na dose errada, e quase sempre benéficas na dose certa (e na adminstração
certa). A ingestão de uma noz moscada inteira pode ser letal ao ser humano.
A raspa dessa diluída na comida não fará qualquer mal.;
Mesmo água pode matar (choque hídrico); Assim, é necessário
conhecer aas doses.
8. Cítricos são fotosensibilizantes?
MITO - Nas frutas cítricos, há duais grupos de substâncias
que podem queimar a pele e torna-las fotosensíveis: o ácido cítrico
e as furanocumarinas. Óleos essenciais não contém ácido
cítrico. Assim, óleos cítricos podem ser fotosensibilizantes
somente no caso da existência de furanocumarinas. O percentual de furanocumarinas
é muito variável, sendo mais comum na laranja e menos comum no
limão. De qualquer forma há no mercado uma série de óleos
cítricos sem furanocumarinas. O ideal é que as empresas de aromaterapia
passem a disponibilizar ao cliente o teor de furanocumarinas, ou pelo menos
a existência ou não delas na composição total do
produto.
9. Óleos essenciais jamais podem ser aplicados puros, sobre a pele?
MITO - Cada óleo essencial é completamente diferente do outro.
Generalizar e condenar o uso puro de óleos essenciais é um erro.
Há diversos óleos que não representam qualquer risco se
utilizados puros sobre a pele. É o caso da copaíba, da lavanda,
do tea-tree, e do bálsamo do perú, entre outros. Outros óleos
poderão causar reações hiperemiantes ou mesmo queimar a
pele. Como exemplo citamos o cravo, a canela, o orégano. Mais uma vez,
o mito consiste na generalização. Formações sérias
em aromaterapia preparam para lidar com cada óleo individualmente, através
do conhecimento da família química deste.