As
micoses superficiais são uma queixa muito freqüente nos consultórios
de dermatologia, especialmente no verão, época em que há
aumento da temperatura e da umidade do ambiente. São manifestações
que incomodam bastante e chegam a atrapalhar as atividades diárias, as
práticas de esportes e até mesmo a auto-estima da pessoa.
As micoses de pele mais freqüentes são as dermatofitoses e a pitiríase
versicolor (pano branco).
As dermatofitoses (ou tinhas) são causadas por fungos que se alimentam de queratina, podendo parasitar as porções queratinizadas da pele, pêlos e unhas. Podem acometer as mais diversas partes, como couro cabeludo, virilha, mãos, pés, unhas e outras áreas do corpo. No couro cabeludo, a micose pode se manifestar como área de falha no cabelo (única ou múltiplas, dependendo do tipo de fungo), além de descamação e, eventualmente, saída de secreção purulenta no local. Esse tipo de micose é muito mais freqüente em crianças, sendo rara em adultos. Pode ser adquirida pelo contato com indivíduos infectados, animais doentes ou portadores, particularmente cães e gatos, ou com a própria terra.
A tinha do corpo pode se manifestar sob aspectos bastante diversos. O mais freqüente consiste em manchas arredondadas ou em semicírculos, com bordas avermelhadas e descamação. Geralmente essas lesões coçam muito.
A tinha do pé é muito freqüente, principalmente nas pessoas que praticam esportes, usam sapatos fechados ou que transpiram muito nos pés. A razão disso é que o ambiente quente e úmido é propício para a proliferação de fungos. A micose dos pés pode se manifestar entre os dedos dos pés (pé de atleta ou frieira) como macerado esbranquiçado e fissuras; em todo o pé, com descamação difusa crônica ou com bolinhas de água. A coceira pode estar presente.
A tinha da mão é muito pouco freqüente. Nessa região são muito mais freqüentes as dermatofítides, que são uma espécie de reação de hipersensibilidade a um foco de micose localizado nos pés.
A tinha inguinal (virilhas) é muito mais freqüente no homem, sendo rara na mulher. Manifesta-se sob a forma de manchas avermelhadas com bordas descamativas, que geralmente coçam muito.
Trauma nas unhas e umidade nos pés facilitam o surgimento de micose nas unhas (ou onicomicose). A unha com micose pode ficar grossa e oca, com alteração da sua cor (branca, amarelada ou esverdeada). Pode até se soltar do leito ungueal nos casos mais graves. Há muitas razões para se tratar a onicomicose, além dos aspectos estéticos. Ela pode ser um risco em potencial para pessoas diabéticas, servindo de porta de entrada para infecções. Muitas vezes a unha se deforma, favorecendo que fique encravada e, eventualmente, infeccionada. E, além disso, vale ressaltar que a onicomicose é mais resistente ao tratamento se comparada com micoses de outras regiões do corpo. O tratamento nestes casos é mais longo e muitas vezes deve ser utilizada medicação oral.
A pitiríase versicolor ou pano branco é uma micose muito comum e é causada por um fungo chamado Malassezia furfur. Tem maior prevalência em regiões de clima quente e úmido. Compromete adultos de ambos os sexos, sendo menos freqüente em crianças e idosos. Caracteriza-se pela presença de manchas de coloração variável ( acastanhadas, róseas ou esbranquiçadas daí o nome versicolor) com descamação fina, nas áreas seborreicas (mais oleosas) do corpo, com predileção pela parte alta do tronco.
Geralmente o quadro clínico das micoses é bem característico. Por meio do exame micológico (que consiste na raspagem das lesões e observação desse material no microscópio), podemos verificar a presença de fungo ou não e o tipo desse fungo. Já a cultura serve para tentar definir a espécie do fungo, o que pode ser útil para saber qual é o remédio antifúngico mais adequado. Isso é especialmente importante nos tratamentos prolongados como nas onicomicoses.
O tratamento pode ser tópico (com cremes, loções, shampoos, sprays e esmaltes antifúngicos) ou sistêmicos (medicamentos via oral). É muito importante que a umidade seja evitada, uma vez que sabemos que os fungos provocam micoses com maior facilidade nessas condições.
Os medicamentos sistêmicos mais utilizados no tratamento das micoses atualmente são o fluconazol, o itraconazol e a terbinafina. A griseofulvina e o cetoconazol são mais antigos, mas ainda são bastante utilizados em alguns casos.
Quando houver suspeita de micose, não use qualquer pomada ou medicamentos indicados por terceiros. A avaliação do especialista é fundamental para que a conduta correta seja tomada e o tratamento dê resultados.
Orientações da Dra. Carla Skromov de Albuquerque, médica
dermatologista formada pela Santa Casa de São Paulo. Especialista em
Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.